quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

A Pergunta Final (Parte IV)

Era uma bela sensação ter um Microvac seu, e Jerrodd estava muito contente por fazer parte daquela geração e não doutra. Na mocidade de seu pai, os únicos computadores tinham sido máquinas tremendas ocupando centenas de quilómetros quadrados. Havia somente um em cada planeta. Chamavam-lhes “ACs planetários”. Tinham aumentado constantemente de tamanho durante mil anos e então, subitamente, surgiram as válvulas moleculares, de modo que ate os maiores AC planetários podiam ser metidos num espaço correspondente a metade do volume de uma nave espacial.
Jerrodd sente-se elevado, como sempre lhe acontece quando pensa que o seu Microvac pessoal é muitas vezes mais complicado que os antigos e primitivos Multivac que dominaram primeiro o Sol e é quase tão complicado como o AC planetário da Terra, o maior de todos, que resolveu em primeiro lugar o problema das viagens hiperespaciais e tornou possível as viagens às estrelas.
- Tantas estrelas, tantos planetas – suspirou Jerrodine, ocupada com os seus próprios pensamentos. – Suponho que as famílias irão eternamente em busca de novos planetas, tal como nos vamos agora.
- Não eternamente – notou Jerrodd com um sorriso. – Um dia isto parará, mas durará milhares de milhões de anos. Muitos milhares de milhões. Até que as estrelas se extingam, como sabes. A entropia tem de aumentar.
- O que é a entropia, papá? – guinchou Jerrodette II.
- Entropia, queridinha, é somente uma palavra que significa o que no Universo se vai esgotando. Tudo se esgota, como sabes, como o teu pequeno robot que anda e fala, lembras-te?
- Não lhe podem por uma nova célula de energia, como aconteceu com o meu robot?
- As estrelas são as nossas células de energia, querida. Uma vez que se acabem não haverá mais células de energia.
Jerrodette II começou imediatamente a gritar:
- Não as deixe, papá. Não deixe que as estrelas se esgotem.
- Olha para o que fizeste – murmurou Jerrodine, exasperada.
- Como é que eu podia saber que as ia assustar? – murmurou Jerrodd, em resposta.
- Pergunta ao Microvac – uivou Jerrodette I. – Pergunta-lhe como se pode voltar a acender as estrelas.
- Anda, faz isso – propôs Jerrodine. – Acalmá-las-á. – Jerrodette estava também quase a chorar.
Jerrodd encolheu os ombros.
- Bem, bem, queridas. Vou perguntar ao Microvac. Não se preocupem. Ele dar-nos-á a resposta
Fez a pergunta a Microvac e acrescentou rapidamente:
- Imprime a resposta.
Jerrodd apanhou na cova da mão a fina fita de celufilme e disse, num tom de satisfação:
- Vejam: o Microvac diz que cuidara de tudo quando esse momento chegar pelo que não se devem preocupar.
Jerrodine acrescentou:
- E agora, pequeninas, são horas de irem para a cama. Não tardaremos a estar no nosso novo lar.
Jerrodd leu de novo as palavras impressas no celufilme antes de o destruir: “DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”
Encolheu os ombros e olhou para a visiplaca. O X-23 estava mesmo em frente.
continua brevemente...