
Hoje em dia, o planeta Terra concita todas as atenções. Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo, o Homem viveu no planeta Terra sem se preocupar minimamente com os problemas que nele existiam. Foi como se tivéssemos vivido sempre na mesma casa e só agora começássemos a olhar para o telhado, as paredes e o chão. O efeito de estufa que se manifesta no aumento gradual da temperatura atmosférica preocupa cientistas, políticos e cidadãos. Os problemas climáticos à escala global e os efeitos da actividade humana sobre o ambiente, incluindo as questões da poluição industrial, da radioactividade artificial e da destruição de grandes ecossistemas naturais inquietam justamente os habitantes do planeta. Como se pode verificar, as preocupações são muitas e é urgente que se encontrem soluções.
Os cientistas discutem uns com os outros enquanto continuam a recolher registos destes fenómenos com os seus instrumentos. Os economistas receiam o futuro, os ministros reúnem e os presidentes hesitam. Os cidadãos, que têm motivos para desconfiar dos cientistas mas, acima de tudo, dos políticos, não sabem muito bem em quem ou no que acreditar.
Os órgãos de comunicação social também não colaboram da melhor maneira. As manchetes por eles produzidas são demasiado sensacionalistas e prendem-se em demasiados termos científicos, o que faz com que o leitor não se sinta minimamente interessado pela notícia. Torna-se fácil perdermo-nos no meio de tanta informação difusa circulante nos meios de comunicação social. A ignorância dos políticos é confrangedora. A forma como os media discutem sobre este tema faz com que, pouco tempo depois, o público se sinta indiferente perante tudo, apesar do seu interesse inicial que, na realidade, não passa de mera aparência.
É por isso que uma boa divulgação científica é essencial para sensibilizar o publico em geral. É importante que todos assumam a responsabilidade de zelar pelo futuro do nosso planeta, e a comunidade científica tem a importante missão de passar a mensagem. Esta divulgação pode contribuir, inicialmente, para sistematizar argumentos, efectuar uma revisão ideológica e dos factos, com vista a modelar consciências criticas.
É necessário que recolhamos informações sobre o estado de saúde do nosso planeta, organizando-as a divulgando-as para o grande público. Sabe-se que, até ao momento, o resultado proveniente destas análises não é muito animador. Leva-nos a concluir que o efeito de estufa é, de facto, real, que o buraco do ozono nos coloca sob radiações solares perigosas, que o clima se está a modificar de um modo preocupante e que os clorofluorcarbonetos continuam a influenciar negativamente a nossa vida. O que não se sabe, e deveria saber, é a extensão quantitativa destes fenómenos. Não sabemos o tamanho do “buraco ambiental” onde estamos metidos e a maneira exacta como este vai evoluir. Em suma, estamos conscientes que os problemas existem, mas não sabemos ao certo de que forma (quando, como…) estes nos irão afectar. E esta tarefa apresenta-se muito difícil na medida em que os sistemas em causa demonstram comportamentos bastante complexos.
Falando de algumas questões que preocupam o futuro da Humanidade, o uso adequado de recursos energéticos assume uma importância fulcral. Ao saber gerir os seus recursos energéticos, o Homem contribui para a saúde do seu planeta, usando-o em benefício próprio, sem o prejudicar. Um dos recursos energéticos mais importantes é, sem sombra de dúvida, a água.
Setenta por cento da superfície do planeta Terra é coberta por água – mas só 1% de todo esse enorme reservatório é próprio para o consumo do Homem. O desafio é evitar a poluição, o desperdício e distribuir melhor esses recursos hídricos. Uma das visões mais espectaculares do século passado foi a primeira imagem da Terra feita do espaço, na década de 60: uma gigantesca massa azul, com 70% de sua superfície coberta por água. Neste início de século, uma preocupação recorrente – e justificada – é a de que a água, tão abundante, se torne paradoxalmente cada vez mais escassa para uso humano. Em Março deste ano, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, decretou os anos que vão de 2005 a 2015 como a Década da Água. O objectivo é que nesse prazo se reduza à metade o número de pessoas sem acesso a água potável, marca que ultrapassa 2 biliões de pessoas. Mantidos os actuais níveis de consumo, estima-se que em 2050 dois quartos da humanidade viverão em regiões premidas pela falta crónica de recursos hídricos de qualidade. É um dado gravíssimo quando se leva em consideração que 60% das doenças conhecidas estão relacionadas de alguma forma com a escassez de água. Como é que isso é possível um planeta com tantos recursos hídricos? O problema pode ser equacionado em dois termos: má distribuição e má gestão. O primeiro deve-se à própria natureza, o segundo é culpa do Homem. A água é realmente a substância mais comum na Terra. No entanto, 97% dela está nos mares, sendo assim imprópria para o uso agrícola e industrial e para o consumo humano. Outros 2% estão nos calotes polares, em forma de gelo ou neve. Resta, assim, apenas 1% de água doce, aquela disponível nos rios, lagos e lençóis freáticos. Essa água é extremamente mal distribuída. Países como o Canadá e a Finlândia têm muito mais do que precisam, enquanto o Médio Oriente praticamente não têm nada.
Há pelo menos três mitos sobre a questão da água, magnificados pelos discursos de ambientalistas radicais mas que não condizem com a realidade. O primeiro diz que a água do planeta se está a esgotar. Não é verdade. A água é um recurso infinitamente renovável, já que, no seu ciclo, cai das nuvens em forma de chuva, fertiliza a terra, vai para o mar pelos rios e evapora de volta para as nuvens, novamente como água doce. O segundo diz que o consumo doméstico desmedido está a esgotar com a água existente no planeta. Trata-se de outro exagero. Apenas um décimo da água potável disponível é gasto para que os homens cozinhem, lavem roupa e façam a higiene pessoal, enquanto 70% são usados para a irrigação agrícola – esta, sim, a grande vilã do desperdício. O terceiro mito, derivado do último, é o de que os recursos hídricos vão acabar porque, quanto mais o planeta se desenvolve, mais precisará de alimentos e, por consequência, de água. Também não é verdade. O desenvolvimento de novas técnicas agrícolas diminuirá o consumo de água. Efectivamente, o consumo de água tem vindo a dimimuir. Mas talvez não esteja a diminuir da forma como todos desejamos, uma vez que este bem tão necessário à vida na Terra não está a ser utililizado de uma forma inteligente da parte do Homem. E a partir daqui fazem sentido todas as campanhas de sensibilização por parte das instituições competentes. Essas instituições deverão advertir os cidadãos sobre as melhores formas de poupar água nas suas casas.A quantidade média de água utilizada nas descargas das casas de banho tem vindo a decrescer.
O principal problema é conseguir gerir os recursos hídricos face a um constante aumento populacional, mantendo a sua qualidade. A água deveria ser vista como um bem económico, pois está intimamente ligada a todas as cadeias de produção. Ou seja, é importante que distribuamos e saibamos gerir a água com sabedoria.
Outra questão que preocupa os ecologistas e os cidadãos em geral é a poluição, em todas as formas possíveis: atmosférica, sonora, etc. A poluição pode ser definida como introdução no meio ambiente de qualquer matéria ou energia que venha a alterar as propriedades físicas, químicas ou biológicas desse meio, afectando ou podendo afectar a saúde das espécies animais ou vegetais que dependem ou tenham contacto com ele, ou que nele venham a provocar modificações físico-químicas nas espécies minerais presentes.
Tomando como base a espécie humana, tal definição, aplicada às acções por nós praticadas, levaria a conclusão que todos os actos por nos levados a cabo são actos poluidores. O simples acto de respirar, por exemplo. Para que se estabelecessem limites para considerar o que, dentro do razoável, fosse considerado como um acto poluidor, estabelecidos determinados parâmetros e padrões. E são esses padrões que o Homem tem de cumprir, mas que não o tem vindo a fazer. Uma redefinição destes padrões conduziria, teoricamente, a uma diminuição da poluição, pois o Homem deixaria de ter “actos poluentes”, de acordo com os padrões em vigor. No entanto, continuaria a prejudicar o planeta, sem se aperceber de tal coisa. É esta a função dos padrões definidos para os actos poluentes, para estabelecer limites do Homem. Limites esses que, infelizmente, se têm revelado insuficientes, pois a poluição continua a existir e o planeta continua em risco por causa disso. Há que mudar, para melhor, há que deixar de ser tão comodista, em prol de um planeta melhor.
Estes são alguns dos problemas que, em específico, afectam o futuro da Humanidade no planeta e que nos cabe combater. Todos eles terão uma abordagem mais aprofundada no posterior desenvolvimento desta pesquisa. Um problema a ser resolvido são as mentalidades, e esse problema não poderá ser resolvido com uma mera pesquisa. Terá de ser feita uma reflexão conjunta com vista a motivar toda a gente na resolução destes problemas, num apelo constante à união e à sensibilização gerais.
Porque as esperanças para o futuro não são muitas. Será que a única coisa que temos de fazer perante a destruição iminente do nosso planeta é arrependermo-nos dos erros do passado? Ou será que ainda há algo que o Homem possa fazer? A história do Homem prova que este tem encontrado sempre soluções para os problemas com que se depara. Possuímos sempre uma reserva de sabedoria que, desde que seja bem gerida e orientada, nos permite resolver questões que, até então, pareciam impossíveis de resolver. E este facto explica todo o desenvolvimento cientifico e tecnológico que se tem verificado nos últimos anos. Explica até a evolução da Humanidade. Desde sempre que o Homem se conseguiu adaptar na perfeição às condições em que vivia, graças ao seu engenho e sabedoria.
E este problema é, sem dúvida, o mais importante de todos. Trata-se da sobrevivência do planeta onde vivemos. E, agora e mais do que nunca, a sociedade (em geral) e os cientistas, políticos e cidadãos (em particular) começam a ter consciência da importância do problema. Como tal, começam-se a reunir esforços no sentido de inverter esta tendência. E os cidadãos, que pagam para que os investigadores trabalhem nestes assuntos e para que os governantes tomem as decisões correctas, têm o direito de, pelo menos, continuar vivos e de assegurar a descendência por muitos e muitos anos. Em virtude do arrependimento atempado pode ser que o fim não esteja próximo.